Atletas modelos para a sociedade

corredoresO post de hoje tem o intuito de refletir sobre o papel dos atletas como modelos de comportamento para uma sociedade mais justa e democrática, muito além do marketing ou da publicidade especificamente. Estamos as vésperas de um dos maiores eventos esportivos do planeta e reflexões desse tipo são geralmente pouco compartilhadas.

Todos sabemos que os atletas são os protagonistas do esporte, muitos não tem consciência de sua força para influenciar comportamentos e de seu papel social. Os atletas não são só bons garotos propagandas para vender produtos e acessórios para grandes marcas e corporações, influenciar nos cortes de cabelo, nas roupas e músicas consumidas pelos adolescentes. Eles são personagens que possuem um impacto para a sociedade, principalmente, para crianças e jovens. Portanto, podem ser modelos de conduta para atitudes positivas ou negativas.

Talvez os grandes astros do esporte sejam as únicas pessoas realmente de alcance global. Muitos se quer tem noção dessa dimensão, não é a toa que o modo como se comportam causa repercussão mundial, alimenta as revistas, sites de fofocas e o culto hedonista das celebridades. Claramente os jogadores de futebol são os atletas que mais mídia possuem e portanto os que mais tem acesso as pessoas.  A imagem dos atletas atinge todas as parcelas da sociedade, nas diferentes classes sociais, culturas, religiões e etnias. Por isso quando se engajam em causas humanitárias podem auxiliar em muitos aspectos. Por aqui isso é fácil de ser constatado, Pelé foi (é) de longe o maior ‘garoto propaganda’ do Brasil no exterior, mais até do que qualquer chefe de estado, músico ou personalidade do nosso país. Nos anos 1950, Pelé, sem dúvida ajudou a colocar o Brasil no mapa. Pelé se tornou um marca globalizada, associada ao futebol e ao Brasil.

Mas, o que é considerado um atleta modelo a seguir? É aquele que se preocupa além das competições, treinamentos e seu cotidiano profissional. É o atleta que se preocupa com alguma causa social ou política de sua comunidade, região ou país, com a intenção pura e simples de auxiliar sem visar o marketing pessoal ou lucro.  

Todos os atletas devem se engajar em causas sociais? Obviamente não é uma questão de obrigatoriedade, é simplesmente uma escolha pessoal, mas talvez possa ser uma questão moral, de retribuir um pouco a sociedade que indiretamente tem sua parcela de responsabilidade na sua condição de ídolo. É fato, quando se engajam em inúmeras causas pelo mundo podem influenciar muito positivamente, pois o atleta possui no imaginário social uma gama de valores e virtudes associados a ele. Aos quais as pessoas se identificam,  por exemplo: conduta de superação, conquistas de vitórias, força, resistência, persistência, disciplina, cooperação, dedicação, altruísmo, excelência, vigor, mérito, abnegação, metas,  etc.

Existe no mundo muitos projetos sociais, institutos, fundações ou organizações criados por atletas que utilizam os valores do esporte para contribuir com o desenvolvimento humano, temos grandes projetos que fazem um excelente trabalho e realmente contribuem para a sociedade. Porém, também existe os projetos de fachada que visa amenizar os impostos e tributos pagos ao fisco, causar impacto na mídia e pouco colaboram efetivamente as causas sociais ou auxiliam as pessoas mais vulneráveis. Mas, captam as imagens dos atletas ao qual estão associados e ajudam a construir os heróis fabricados pelos meios de comunicação em que a população sem muita instrução tem de engolir.

Recentemente tivemos episódios envolvendo jogadores brasileiros que podem nos fazer refletir sobre o poder de penetração que eles causam em nosso cotidiano. Destaco o caso da atitude de comer a banana jogada em campo por um torcedor ao Daniel Alves, foi algo espontâneo e que rapidamente fez com que ficássemos favoráveis ao seu comportamento diante de uma atitude racista e xenofóbica. Será que podemos dizer o mesmo  do restante desse fato, com relação a atitude de Neymar? A expressão #somostodosmacacos, foi algo espontâneo? Ou pura ‘estrategia de marketing’ sugerida pelo seu staff? Ajudou realmente a discutir e  combater ao racismo?  Reforçou os esteriótipos sociais?

Certamente, quem gosta de esporte e de futebol já ouviu falar do jogador, Didier Drogba. Atacante da Costa do Marfim. Drogba tem uma fundação The Didier Drogba Foundation . As iniciativas de sua instituição vão além da prática esportiva, ele financiou um hospital na antiga vila onde morava. Sua instituição auxilia no combate a pobreza e na erradicação de doenças, como a malaria, por exemplo.

drogbaAbaixo segue uma carta dirigida ao seu povo que enfrentava uma guerra civil em seu país. Drogba, conscientemente utilizou de seu poder de influencia para auxiliar seu compatriotas, essa carta ajudou a encerrar com a guerra no ano de 2005:

“Homens e mulheres do norte, do sul, do leste e do oeste, provamos hoje que todas as pessoas da Costa do Marfim podem co-existir e jogar juntas com um objetivo em comum: se classificar para a Copa do Mundo.

Prometemos a vocês que essa celebração irá unir todas as pessoas.

Hoje, nós pedimos, de joelhos: Perdoem. Perdoem. Perdoem.

O único país na África com tantas riquezas não deve acabar em uma guerra. Por favor, abaixem suas armas. Promovam as eleições. Tudo ficará melhor.

Queremos nos divertir, então parem de disparar suas armas. Queremos jogar futebol, então parem de disparar suas armas.

Tem fogo, mas os Malians, os Bete, os Dioula… Não queremos isso de novo. Não somos xenófobos, somos gentis. Não queremos este fogo, não queremos isto de novo.”

Outros grandes ídolos do esporte internacional também possuem organizações sociais em que são apoiadas por órgãos da ONU como: Unicef, Unesco, Unodsp e fazem a diferença nas vidas das pessoas que participam desses projetos.

Manny Pacquiao,  pugilista filipino, campeão mundial seis vezes, lutando em oito categorias diferentes. É um fenômeno de sucesso principalmente na Ásia. Seu projeto está relacionado a educação, saúde e esporte ( http://give2asia.org/mannypacquiao ).

Catty Freman,  australiana de origem aborígene, a campeã olímpica nos 200 m rasos nos Jogos Olímpicos de Sidney 2000, tem uma organização que auxilia na educação e inclusão social de crianças na Austrália ( http://www.cathyfreemanfoundation.org.au/ ).

Muhammad Ali, ex- boxeador, uma das maiores lendas vivas do esporte, lutou contra a segregação racial entre outras causas importantes. Sua instituição está relacionada a desenvolvimento de pesquisas em saúde e educação, principalmente, ( http://www.alicenter.org/ ).

Lionel Messi, a maior estrela do futebol na atualidade. Sua fundação está ligada a projetos de educação, inclusão social e esporte  ( http://www.fundacionleomessi.org/ ).

Temos algumas instituições brasileiras de personalidades do esporte do qual podemos nos orgulhar muito,  que fazem um trabalho importantíssimo, o Instituto Ayrton Senna,  a Fundação Gol de Letra, a Fundação Cafu, o Instituto Esporte e Educação, o Instituto Reação, o Instituto Guga Kuerten entre outros. Além disso, vale destacar os movimentos Atletas pelo Brasil e Bom Senso FC, onde se engajam por mudanças consistentes  nos aspectos políticos e institucionais do esporte nacional. No meu modo de pensar,  ainda temos poucas iniciativas envolvendo atletas e a sociedade civil tendo em vista o potencial que o esporte  possui  para colaborar para erradicar os problemas sociais que enfrentamos no nosso país. Talvez, devido a um “traço cultural” da sociedade brasileira, que também se reflete, inclusive, nos grandes empresários. Vivemos de exceções e de poucos filantropos por aqui. Os brasileiros se mobilizam e se identificam, geralmente, em grandes catástrofes naturais, principalmente diante de efeitos midiáticos. Infelizmente, temos ainda a mania de esperar  muito do poder publico. Creio que nos falta uma visão social e politica mais ampla, haja visto, as leis de incentivo ao esporte por exemplo, a minoria das empresas aderem ao programa de incentivo do governo a atletas ou instituições mesmo obtendo descontos na tributação fiscal.

Acredito que iniciativas como as exemplificadas nesse post são fundamentais para que possamos ter um mundo melhor e mais justo para as futuras gerações. São pessoas como esses atletas que resolveram compartilhar o que o esporte pode lhe proporcionar, por isso, são modelos para a sociedade e devem ser exemplos a serem seguidos.

Referencias:
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Abraços
Até!!!
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