Copa do Mundo 2018

Gostaria com esse post compartilhar um pouco de minhas impressões sobre a Copa do Mundo de Futebol que muito em breve irá começar.

Todos sabemos que o futebol é a modalidade esportiva de maior paixão e alcance mundial, está presente em todos as culturas, mobiliza bilhões, de espectadores e de cifras. Não é a toa também que o futebol é o mais político dos esportes, ao contrário de quem acha que esporte e política não se mistura. Tanto é que ao sediarmos a Copa passada, fomos “enganados” quando o poder público nos prometeu que teríamos “legados diversos”, principalmente relacionados a infraestrutura. O tal “padrão Fifa” se tornou um grande gasto desnecessário e desperdício ridículo de dinheiro público.

Na Rússia, a comunidade internacional noticia que os valores relativos aos gastos com a copa naquele país são superiores aos do Brasil. Além disso, o governo Putin quer tentar amenizar a opinião pública mundial com a sua relação promiscua com o regime assassino do ditador Sírio, Bashar Al-Assad.

 “A abertura da Copa vai ocorrer sob o pano de fundo de uma violação de direitos humanos persistente e severa na Síria, onde civis continuam a enfrentar riscos de vida, uso de armas proibidas e restrições de ajuda humanitária”, alertou a Human Rights Watch. (Jamil Chade, Estado de S.Paulo – 22/05/2018).

A mídia vêm tentando  de diversas maneiras resgatar o prestígio da seleção brasileira com o público. Pior que os resultados ruins nos últimos mundiais, o momento político do país, o fracasso nos legados da Copa e dos Jogos Olímpicos no Brasil, a pouca identificação com os jogadores, tudo isso contribuiu para a falta de entusiasmo com a seleção nesse momento.

“A CBF, que fatura caminhões de dólares por ano, não teve sensibilidade para compreender que um treino aberto em Teresópolis é muito pouco para um time que diz representar mais de 200 milhões de torcedores. Depois do fracasso na última Copa, a confederação sequer moveu esforços para reaproximar a seleção de seu povo. Preferiu seguir caminho inverso ao afastá-la de quem não tem dinheiro sobrando.” (Breiller Pires, El País – 28/05/2018)

A tendencia é o clima melhorar conforme se aproxima os jogos e durante a competição. Mesmo aqueles que não gostam e acompanham tanto a seleção com mesmo entusiasmo de seus clubes do coração, que é a maioria das pessoas, ao contrário do que dizem os narradores bregas e ufanistas de grande parte da mídia, vão entrar no clima da copa, torcer e curtir pela seleção brasileira.

Tite, é o nome certo para estar nesse momento a frente da seleção brasileira, ele  é um excelente treinador, vitorioso, carismático, consegue ser um grande líder positivo, ‘incontestável’ no cenário atual de nosso futebol. Mas, eu me pergunto,  por que ele não se convenceu de que após o maior trauma do futebol mundial trabalhar os aspectos psicológicos com seriedade e com profissionais qualificados, não deveria ser imprescindível?  Por que tanto receio e preconceito com a Psicologia? Por medo? Resgatar a autoestima, recuperar a confiança, esses não são os mantras desse novo momento? Parafraseando o craque dos campos e das letras, Tostão:

“Em um comercial, Tite parece um guru, um messias, ao repetir, de uma maneira solene, várias frases ditas por ele mesmo, durante seu trabalho na seleção. Gosto mais do treinador Tite. Não tenho nada contra treinadores da seleção fazerem comerciais, desde que não haja conflito de interesse com o cargo. Todos os outros, antes dos Mundiais, faturaram muito. Lembra-se da propaganda com Dunga, raivoso, antes da Copa de 2010, comandando um grupo de pessoas que gritavam, vestidas como se fossem para uma guerra. Venderam a imagem de Dunga como a de um guerreiro e, agora, a de Tite como a de um sábio. Muito melhor.” (Folha de S.Paulo, 22/04/2018).

Depois do fatídico 7×1 no Mineirão no dia 08/07/2014,  o Maracanazo, nosso ex-maior trauma futebolístico foi sepultado definitivamente e o ex-goleiro Barbosa, ‘vilão’ de outrora pôde finalmente descansar em paz. Foi o maior vexame do futebol mundial. Creio que seria no mínimo justo com os atletas, membros da comissão técnica e até com o treinador proporcionar uma séria preparação psicológica, a pressão existe e vai jogar junto desde o primeiro segundo de jogo. Não será tão simples lidar com um trauma dessa magnitude. A seleção brasileira pode ganhar o mundial, pois,  possui bons atletas e dois excepcionais jogadores (Neymar e Marcelo), mesmo sem preparação mental adequada como em outras edições, porém, poderia ser diferente, mais digno e humano com todas as pessoas que estão envolvidas.

Das seleções que estarão nessa Copa, a seleção da Alemanha com jovens atletas pode novamente surpreender, assim como a França e a Espanha que possuem bons conjuntos e alguns grandes atletas que podem fazer a diferença. A seleção Argentina, mesmo não tão badalada como em edições anteriores, possuí Messi, ter esse gênio já pode ser o suficiente para derrotar qualquer adversário.  Certamente, teremos outras seleções que podem fazer história, além de, Cristiano Ronaldo por Portugal,  Mohamed Salah pelo Egito, Hazard pela Bélgica, e tantos outros craques em atividade. Para mim a copa já começa meio sem graça,  faltará a gigante Itália e a Holanda que sempre encantava por incompetência não se classificaram ao mundial. Coisas do esporte. Mesmo assim, estaremos nos divertindo e de olho nos campos da Russia.

O mundial é uma competição rápida, onde todos os jogos serão decisivos, não haverá tempo para recuperação. Portanto, nessas circunstâncias os atletas devem saber gerenciar a ansiedade, o estresse e equilibrar as emoções no decorrer das partidas. Estar totalmente concentrado dentro de campo será imprescindível, qualquer vacilo poderá ser fatal. Descansar bem após os jogos também é um fator muito importante, estar no ápice do condicionamento físico é preponderante tanto para os aspectos táticos, técnicos, quanto para os psicológicos e emocionais em competições de curta duração. Isso influencia diretamente num sentimento fundamental para qualquer atleta de alto rendimento, a autoconfiança. Indivíduos com confiança toleram melhor as adversidades, as frustrações e os seus erros, são mais positivos, arriscam mais e mantém o foco no aqui agora, no momento presente, sem distrações que podem diminuir a performance. 

Hoje a tecnologia  e a ciência nos possibilita compreender diversos detalhes que podem decidir um campeonato, esse conhecimento é acessível a praticamente todos os times e seleções de alto nível.  Mesmo com todo esse conhecimento disponível, ainda é o fator humano (nem sempre controlável, nem sempre previsível, nem sempre compreendido) o principal agente preponderante de toda essa relação . Essa é a beleza de tudo isso!

Não faltará emoção, surpresa, raiva, identificação, orgulho, angústia, alegria, pena, decepção, e muitas outras sensações e sentimentos que competições dessa magnitude pode nos proporcionar. Vamos esperar como vão se comportar nossos próximos heróis e vilões.  

Vêm Copa …

Referências:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2018/04/enquanto-nao-comeca-a-copa.shtml

https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,putin-usara-copa-do-mundo-para-abafar-crimes-de-guerra-na-siria-dizem-ativistas,70002318768

https://blogdomenon.blogosfera.uol.com.br/2018/05/14/porque-nao-torco-para-a-selecao/

Demasiado Humano: Karius e o paradoxo do atleta de alto-rendimento

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/28/deportes/1527510888_400072.html

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Abraços!!!
Até …

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