Crianças e jovens no esporte

meninos-futNessa semana comemoramos, “o dia das crianças”. Muito mais do que uma data para o  consumismo alienado, deveríamos refletir sobre a infância e tudo o que envolve esse universo. Tentarei trazer aqui nesse espaço, algumas reflexões sobre a psicologia no esporte na infância e adolescência. Como ajudar as crianças a desenvolver o gosto pela prática do esporte? Como ser bons pais nesse contexto?

Esse texto fiz em parceria com o site Terapia do Bolso, do qual sou colaborador.

Desde meu inicio na carreira como psicólogo do esporte venho atuando com crianças e adolescentes em diferentes contextos. Tive experiências em projetos sociais em comunidades pobres, em instituições de iniciação esportiva e em clubes de categorias de base de diferentes modalidades esportivas. Portanto, me sinto privilegiado em poder expor algumas idéias a respeito desse tema.

Todos sabemos que a prática de atividades esportivas deveria ser um hábito adquirido na nossa infância e que desde lá, nos auxiliaria em nossa qualidade de vida por toda vida. Além de promover a saúde, o bem estar físico, melhorar a coordenação motora e desenvolver o metabolismo de nossas crianças e jovens, o esporte pode contribuir muito para a saúde emocional e psicológica de seus praticantes.

Para isso ser tornar um hábito, é fundamental o incentivo dos pais e principalmente que os mesmos também sejam pessoas ativas. As crianças seguem os modelos e estilos de vida que lhe são apresentadas no seu convívio familiar.

MOTIVOS PARA INCENTIVAR A PRÁTICA DO ESPORTE NA INFÂNCIA

O Esporte é um direito de toda criança e adolescente, previsto na Constituição do Brasil e também no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), nós adultos, deveríamos nos mobilizar e zelar para que esses direitos sejam colocados em prática como políticas públicas.

O esporte é ainda subutilizado como meio para complementar a educação formal e também como meio para prevenção e promoção da saúde. Segundo dados da Unesco para cada $ 1  investido em programas de práticas esportivas são economizados $3 em gastos com saúde pública. Portanto, vamos incentivar  nossas crianças e jovens a se movimentarem mais, será bom para a sociedade como um todo.

O esporte é uma ferramenta que pode auxiliar também na educação, várias pesquisas constataram que crianças ativas vão melhor na escola do que as crianças que pouco se movimentam, ou seja, as crianças que praticam  atividades esportivas por pelo menos duas vezes na semana desenvolvem mais rápido as capacidades cognitivas relacionadas a aprendizagem escolar. Portanto, frequentar as aulas de Educação Física na escola e fazer atividades esportivas fora do período escolar são fundamentais também para o desenvolvimento de habilidades intelectuais.

A obesidade também é outro ponto importante, infelizmente,  52% dos adultos brasileiros estão acima do peso e isso tem ocorrido cada vez mais com as crianças e jovens. A obesidade é uma epidemia e deveria ser tratada como um problema de saúde pública com politicas de prevenção e promoção da saúde que atingissem nossa sociedade como um todo.

HABILIDADES SOCIAIS DESENVOLVIDAS NA PRÁTICA DO ESPORTE

Além dos benefícios de saúde física, melhora na qualidade de vida, o esporte ainda ajudará em aspectos do desenvolvimento da moral e sociabilidade nas crianças e jovens. Gostaria de citar alguns aqui:

  • Respeito aos companheiros, adversários e figuras de autoridade;
  • Saber ouvir e falar;
  • Exercitar tomadas de decisão;
  • Aprender a priorizar, lidar com tempo;
  • Desenvolvimento e fortalecimento de laços afetivos;
  • Empatia;
  • Obter prazer e bem-estar com a prática;
  • Compromisso com o meio ambiente e com o público/coletivo;
  • Promover a autoconfiança e autoestima;
  • Contribuir para o desenvolvimento humano.

 

COMO SER BONS PAIS NA HORA DE MOTIVAR A PRÁTICA DO ESPORTE?

Alguns estudos verificaram que os pais podem desempenhar um papel altamente positivo e/ou negativo na experiência esportiva das crianças e adolescentes. O desafio é identificar as formas com que os pais podem afetar positivamente a experiência das crianças e encorajá-los a empregarem essas práticas. Simultaneamente, deve-se verificar ações negativas e facilitar os esforços para eliminá-las.

Existe conduta adequada para os pais de jovens atletas? Será que eles podem torcer? Como devem se comportar em torneios? Qual atitude deve ser tomada diante de vitórias e derrotas de seus filhos?

Infelizmente, não é incomum presenciar comportamentos inadequados de pais em competições acompanhando seus filhos. As atitudes erradas podem ir desde um destempero com seu rebento após uma derrota, até brigas entre pais de atletas por decisões de arbitragem etc. Será que os genitores que tomam esse tipo de atitude sabem o quanto e como estão influenciando seus filhos?

Criança, esporte, tenis, psicólogo do esporte onlineA Psicologia do Desenvolvimento já demonstrou que as atitudes dos pais em diferentes contextos irão influenciar os comportamentos dos filhos muito mais do que as palavras proferidas.
Muitos comportamentos das crianças são aprendidos por simples observação e até por imitação de seus pais ou responsáveis.

Quando nascem, infelizmente as crianças não vêm com um manual de instruções de envolvimento nos esportes, e a maioria dos pais teve pouco treinamento em como ter sucesso com os filhos nesse contexto. Além disso, à medida que as crianças se desenvolvem e amadurecem, o papel dos pais no esporte muda.

10 CONSELHOS PARA PAIS
DE CRIANÇAS E JOVENS  ESPORTISTAS 

1
GANHAR NÃO É TUDO

Parece repetitivo dizer isso, mas é um erro muito comum.

Concentre-se fundamentalmente na maneira como seu filho jogou e não nos resultados das partidas. Premie o esforço e o trabalho duro antes do êxito.

Faça com que seu filho se sinta valorizado e reforce sua autoestima, especialmente quando ele perde um jogo. Evite criticar os resultados.

2

TRABALHE RESPONSABILIDADES PARA DESENVOLVER AUTOCONFIANÇA

Dê a seu filho responsabilidades que, com o tempo, aumentarão sua autoconfiança, autoestima e independência.
Não deixe que ele dependa demasiadamente de você.
Não evite encontrar-se ou falar com o treinador.
Mas evite pensar que o treinador é um simples empregado e que tem, unicamente, interesse profissional.

3
O LIMITE POSITIVO DE SER COMPETITIVO

Assegure-se de que a competição seja uma experiência positiva para seu filho,
fundamentalmente no desenvolvimento pessoal.
Enfatize aspectos importantes, tais como:
a esportividade, ética, melhora pessoal, responsabilidade, espírito de equipe.

4
O ESPORTE DEVE SER UMA EXPERIÊNCIA POSITIVA 

Karate, criança, psicologia no esporte, psicólogo onlineEvite que o treinamento e a competição se convertam em uma experiência negativa para você e para seu filho.
Prazer em praticar o esporte deve ser fundamental.

Estabeleça linhas de comunicação claras e tente reunir-se regularmente com o treinador para saber a evolução de seu filho e comentar sobre seus objetivos.
O papel do treinador é muito importante no desenvolvimento emocional das crianças e jovens que irá se relacionar.
Por isso, é fundamental conhecer sobre suas experiências profissionais, seus métodos de trabalho, sua carreira e formação. O treinador deve ser uma pessoa extremamente paciente, cativante e motivadora.

5
DESENVOLVA A MORAL ATRAVÉS DO COMPORTAMENTO ESPORTIVO

Não faça vista grossa aos comportamentos inadequados de seu filho (uso de violência,  usar palavrões, ou faltar com respeito com colegas ou adversários).
Não esqueça de que aspectos importantes do desenvolvimento do jovem por dar prioridade ao esporte que escolheu.
Você deve estar atento e interferir imediatamente caso ele se porte mal e tenha uma conduta inaceitável.

6
OUÇA A OPINIÃO DELES COM ATENÇÃO

Compreenda que os filhos não têm somente o direito de treinar, mas também o de não treinar.
Anime-o a experimentar outros esportes para que conheça mais pessoas e participe de outras atividades.
Evite obrigá-lo a treinar somente uma modalidade. Quanto mais experiencias tiver, melhor para o seu desenvolvimento motor e para a sua saúde.

7
DÊ SUPORTE EMOCIONAL

Esteja preparado para apoiar e ajudar emocionalmente, especialmente quando seu filho tiver problemas.
Evite usar o castigo, a falta de carinho,  ausência de afeto e amor como meios para que seu filho se esforce mais ou jogue melhor.

Compreenda que os esportistas necessitam de tranquilidade quando perdem uma competição.
Um tapinha carinhoso nas costas ou uma frase de ânimo são suficientes quando um jogador sai da partida derrotado.
Assim que ele estiver mais calmo, você poderá comentar a partida.
Evite obrigá-lo a conversar imediatamente depois do jogo.
Deixe que ele toma a iniciativa de comentar sobre os fatos ocorridos.

8
AJUDE-O A DESENVOLVER CONSCIÊNCIA DOS BENEFÍCIOS DO ESPORTE

Ajude o seu filho a identificar as competências que adquiriu com a prática desportiva,
pois potenciará autoconfiança na medida em que estará a
associar esforça a um ganho específico de competência,
facilitando a transferência deste processo para outras áreas de vida (ex: escola);

Compare o progresso de seu filho com suas próprias habilidades e objetivos, mas
evite comparar o progresso dele com o de outros colegas.

9
SEJA PAI OU MÃE E NÃO O TÉCNICO

Mantenha-se no seu papel de pai, mãe ou responsável.
Evite ser o técnico de seu filho (discutindo a técnica, estratégia, etc).
Não aumente o sentimento de culpa do jovem, fazendo-o perceber que deve a você tempo,
dinheiro ou outros sacrifícios que tenha feito por ele.

10
PARTICIPE DOS JOGOS

Assista as competições e mantenha a calma tanto em situações positivas quanto negativas,
para mostrar que, independentemente do resultado, você se interessa e valoriza o esforço.
Evite sair da partida caso seu filho não esteja jogando bem.
Enfatize o fato de que, ganhe ou perca, seu carinho por ele será igual.
Evite ficar com raiva ou tratá-lo de modo diferente quando perder.

Tente motivar seu filho a ser independente, a pensar por si mesmo.
Mostre interesse pelo esporte dele, assistindo de vez em quando algumas partidas.
Deixe claro que ele é quem joga e que, se ele quiser, você verá a partida e o incentivará.

Evite estar presente em todos os treinamentos e partidas e usar termos como:
“Jogamos”, como se fosse você a entrar na competição também.

Tente passar uma imagem positiva de alegria e calma durante os campeonatos.
Evite mostrar emoções negativas, parecendo nervoso ou chateado quando, por exemplo, seu filho cometer um erro bobo.
Incentive sempre !

Referencias:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2016/10/1818437-a-inatividade-fisica-custou-para-o-mundo-us-675-bilhoes.shtml

http://tribunaexpresso.pt/opiniao/2016-09-21-O-lado-invisivel-da-performance-de-um-atleta-o-papel-dos-pais?platform=hootsuite

Para os pais de jovens atletas

Como ser um melhor pai de tenista: conselhos para ajudar pais de jovens tenistas. Cartilha publicada pela Federação Internacional de Tênis – 2000.

Robert Weinberg & Daniel Gould, (2001). Fundamentos da Psicologia do Esporte e Exercício. Ed. Artmed.

Benno Becker Jr. (org – 2000). Psicologia Aplicada à Criança no Esporte. Ed. Feevale

***
Abraços …
Até

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