Depressão

Foi divulgado recentemente o Suplemento de Saúde da Pnad  (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2008. Essa pesquisa revela que a depressão é a quinta doença de maior ocorrência no Brasil. 4,1% das 59,9 milhões de pessoas atingidas se declaram portadora de alguma doença crônica.

DepressãoAs doenças crônicas (identificadas por algum médico ou profissional de saúde) mais informadas foram: hipertensão (14,0%) e doença de coluna ou costas (13,5%), com artrite ou reumatismo (5,7%), bronquite ou asma (5,0%), depressão (4,1%), doença de coração (4,0%) e diabetes (3,6%).

A Organização Mundias doa Saúde estima que em pouco mais de 10 anos a depressão será a segunda doença mais comum no mundo, devendo atingir o primeiro lugar no ranking em 2030. Ela também será a maior responsável por mortes prematuras e anos produtivos perdidos dado seu potencial incapacitante ( http://blogs.estadao.com.br/sinapses/ )

Mesmo diante desse quadro apresentado por esse levantamento, penso que os números de pessoas que são acometidas pela depressão podem ser bem maiores. Por falta de diagnósitco adequado ou por vergonha de compartilhar essa informação devido ao estigma social que acompanha os transtornos mentais e emocionais.

Por falar em estigma o mesmo está relacionado com o preconceito e desinformação. Muitos ainda pensam que pessoas deprimidas são fracas, omissas, preguiçosas, sem força de vontade  ou  associam com frescura de quem não tem o que fazer, devido por exemplo, a uma condição social mais favorável.  Comentários pejorativos são frequentes, a depressão não escolhe classe social, religião, cultura ou etnia para se manisfestar.

Pesquisas indicam que 0 componente genético exerce forte influência na predisposição da depressão. Porém fatores ambientais,  são muito importantes para a manifestação e desencadeamento dessa doença. Se uma pessoa eventualmente possuir uma “tendência genética” à depressão e viver num ambiente social  com poucos estressores a doença pode não se manifestar.

A tristeza é uma emoção comum e esperada e que está presente em todos nós em diversos momentos de nossas vidas. Atualmente o termo “deprê” é utilizado como sinônimo  de tristeza, uma pessoa se autodenomina “deprimida” quando está triste .  A Depressão é o prolongamento e potencialização da tristeza, portanto, a tristeza é um componente do humor deprimido, não ao contrário.

Uma pessoa deprimida possui poucos reforçadores sociais, ou seja, caracterizam-se geralmente por padrões de comportamentos de evitações e esquivas. Geralmente são indivíduos tímidos, com poucos amigos e vínculos sociais, alguns são extremamente dependentes emocionalmente de familiares ou parentes próximos. Consequentemente são pessoas constantemente melancólicas, rotineiras, pragmáticas e de difícil relacionamento. Os familiares do deprimido também são afetados de alguma maneira com a situação de seu familiar.

O que dizem os manuais médicos? 

DSM IV – TR (pg.365-376) .

 O transtorno depressivo maior está associado a alta mortalidade. Os indivíduos com Transtornos Depressivo Maior grave que morrem por suicídio chegam a 15%.  É mais prevalente e duas vezes mais comum em mulheres adolescentes e adultas do que em adolescentes e adultos do sexo masculino. Em crianças, meninos e meninas são igualmente acometidos.

O Transtorno Distímico e o Transtorno Depressivo Maior são diferenciados com base na gravidade, cronicidade  e persistência. No Transtorno Depressivo Maior, o humor deprimido deve estar presente na maior parte do dia, quase todos os dias, por um período mínimo de 2 semanas, ao passo que o Transtorno Distímico deve estar presente na maior parte dos dias por um período mínimo de 2 anos.  O diagnóstico diferencial entre Transtorno Distímico e Transtorno Depressivo Maior torna-se particularmente difícil pelo fato de que os dois transtornos compartilham sintomas similares e porque as diferenças entre os dois, em termos de início, duração, persistência e história, não são fáceis de avaliar retrospectivamente. Em geral, o Transtorno Depressivo Maior consiste em um ou mais Episódios Depressivos Maiores distintos que podem ser diferenciados do funcionamento habitual da pessoa, ao passo que Transtorno Distímico caracteriza-se por sintomas depressivos crônicos e menos graves, presentes por muitos anos.

  CID – 10 (pg.327-330)

F32 – Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral a fadiga acentuada, mesmo após um esforço mímino. Observam-se em geral problemas de sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da autoestima e da autoconfiança e frequentemente idéias de culapabilidade e/ou indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode acompanhar-se de sintomas ditos “somáticos” – por exemplo, perda de interesse ou prazer, despertar matinal prococe, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora acentuada, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda de libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.

F33 – Transtorno Depressivo Recorrente.

Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos correspondentes à descrição de um episódio depressivo (F32) na ausência de todo antecedente de episódios independentes de exaltação de humor e de aumento de energia (mania). O transtorno pode, contudo, comportar breves episódios caracterizados por um ligeiro aumento de humor e de atividade (hipomania), sucedendo imediatamente a um episódio depressivo, e por vezes precipitadas por um tratamento antidepressivo. As formas mais graves do transtorno depressivo recorrente apresentam numerosos pontos comuns com os conceitos anteriores de depressão endógeno. O primeiro episódio pode ocorrer em qualquer idade, da infância à senilidade, sendo que o inicio pode ser agudo ou insidioso e a duração variável de algumas semanas a alguns meses. O risco de ocorrência de um episódio maníaco não pode jamais ser completamente descartado em um paciente com transtorno depressivo recorrente, qualquer que seja o número de episódios  depressivos apresentados. Em caso de ocorrência de um episódio maníaco, o diagnóstico deve ser alterado pelo transtorno afetivo bipolar.

Tratamento:

Pesquisas atuais demonstram que a maneira mais indicada  para cuidar da Depressão é associar o tratamento psiquiátrico medicamentoso, a psicoterapia e a atividade física.

Depressão

Basicamente a medicação modifica a captação de serotonina  e outras substâncias pelo cerébro que diminuem os sintomas da doença. A psicoterapia está relacionada as mudanças  e a aprendizagem de comportamentos. A atividade física à longo prazo, auxilia na liberação de hormônios relacionados ao prazer e ao bem estar, entre eles, a endorfina, a serotonina, a dopamina, além da diminuição do cortisol.

Uma excelente indicação para pessoas com depressão pode ser a prática de dança de salão, não só pela atividade física associada, já que dançar é uma prática prazerosa para muitas pessoas, mas principalmente pela questão da sociabilidade, do contato físico, da coesão de grupo e dos reforçadores sociais que essa atividade pode proporcionar.

O psicólogo do esporte que atua em acadêmias, grupos esportivos e em instituições, frequentemente  se depara com pessoas que sofrem de depressão. Nesse caso seu papel  pode ser no auxílio da manutenção da adesão e aderência do exercício físico, bem como  no desenvolvimento da autoestima e autoimagem, contribuindo com a reabilitação  dessas pessoas atráves da atividade física.

Referências:

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 4 Edição. Texto Revisado (American Psychiatric Association).

CID-10. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (Organização Mundial da Saúde).

Abraços.

Até !!!

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2 thoughts to “Depressão”

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