Estresse em técnicos

Na semana passada a hospitalização do técnico Ricardo Gomes, do São Paulo F. C. foi um dos assuntos mais comentados.

Algumas nomenclaturas foram amplamente utilizadas como diagnóstico do ocorrido.  AVC (Acidente Vascular Cerebral), AVE (Acidente Vascular Encefálico),  AIT ( Acidente Isquêmico Transitório). Os termos médicos utilizados  nesse momento pouco importa. O mais importante é saber que qualquer pessoa está sujeita a passar por isso, geralmente são ocorrências assimtomáticas e só sentimos literalmente depois do ocorrido, como Ricardo Gomes que sentiu formigamento, dores de cabeça e na nuca e logo depois foi levado ao hospital.

Fatores genéticos e  fatores ambientais são as causas e as consquências desses e de outros problemas.  Hipertensão, doenças cardíacas, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo, obesidade, estresse, ansiedade entre outros aspectos.

Penso que as pessoas em geral sabem e são informadas sobre os fatores de risco e as consquências de um estilo de vida desregrado. Os fumantes sabem que o cigarro causa muitos males a saúde, os sedantários entendem que não fazer exercícios físicos é prejudicial. Os hipertensos são orientados à controlar sua pressão arterial, os obesos reconhecem que os excessos de comida faz mal, os estressados têm consciência de que necessitam relaxar.  Previnir esses infortúnios e mudar  esses comportamentos é o mais difícil. Mas isso é assunto para outros posts.

Sobre o estilo de vida e os fatores de risco na rotina do técnico Ricardo Gomes conhecemos pouco. Porém,  não adianta negar, o estresse,  a ansiedade, a pressão por resultados, fazem parte do cotidiano de técnicos e atletas, no futebol mais ainda (por tudo que esse esporte representa para a sociedade brasileira) . Como amenizar e previnir então essas ocorrências?

 Para Brandão e Miguel (2010),  a regulação do estresse deixa o treinador mais controlado para enfrentar determinadas situações competitivas.  A idéia é de que seu estresse não seja eliminado, mas, ao contrário, controlado.

 Ainda segundo os mesmos autores, uma das ironias do trabalho do treinador é que grande parte de seu trabalho – as horas de treinamento e a preparação de seus atletas – não é avaliada. Ao contrário, ele é avaliado por uma pequena parte de seu trabalho, o resultado da competição. Quando o líder conduz a equipe à vitória, a experiência emocional é gratificante, mas quando o resultado é uma derrota, aumenta o nível  de exigência, o que gera conflitos internos.

A Psicologia do Esporte possue recursos práticos e técnicas psicologicas que podem auxiliar no controle e gerenciamento do estresse. Essas técnicas podem ser assimiladas e fazer parte da rotina de trabalho desses profissionais.

Segundo o autor espanhol José Maria B. (2010), em linhas gerais, a ajuda psicológica aos treinadores esportivos pode agrupar-se em quatro aspectos: 1) uma formação psicológica básica que oriente o treinador sobre as variáveis psicológicas que são relevantes em seu trabalho sobre as diretrizes e estratégias que permitem controlar essas variáveis na direção apropriada; 2) o treinamento mais específico e avançado, dirigido para os treinadores dominem habilidades para influenciar favoravelmente no funcionamento dos atletas; 3) o assessoramento que o treinador pode receber do psicólogo do esporte de forma continuada ou esporádica, a fim de melhorar suas decisões e, em geral, atuar de maneira mais eficaz e útil; 4) o treinamento em habilidades para autocontrolar seu próprio funcionamento psicológico (sua motivação, suas emoções, sua concentração etc.) e, assim, poder otimizar seu rendimento como treinador.

O conhecimento existe para se partilhado, a psicologia do esporte possui recursos cientificamente comprovados para auxiliar os técnicos, agora cabe aos mesmos querer apreender para desenvolver melhor seu trabalho.

Referências:

 Livro:

Coleção Psicologia do Esporte e Exercício vol.4. O treinador e a Psicologia do Esporte; Regina Brandão e Afonso Antonio Machado (org); ed. Atheneu (2010).

Textos:

Emoções à flor da pela: o treinador e a competição; Maria Regina Brandão e Maria Cristina Nunes Miguel.

Psicologia dos Treinadores Esportivos: Conceitos Fundamentais e Áreas de intervenção José Maria Buceta.

Abraços.

Até !!!

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