Linguagem corporal no esporte e sua importância em competições de alto rendimento

* Por Patricia Moura

A comunicação de uma pessoa não se dá apenas pela fala: outros elementos são também responsáveis por transmitir uma mensagem – mesmo que não exatamente de forma consciente ou proposital. Muitos já devem ter ouvido a expressão “o corpo fala”, e literalmente é isso o que acontece se levarmos em conta nosso conjunto de movimentos, postura, gestos, pequenas expressões, olhares e outros sinais evidenciados pela linguagem corporal, os quais são recebidos pelo interlocutor de forma explícita ou nem tanto.

Todo esse conjunto pode evidenciar intenções, emoções e até se a pessoa está falando ou não a verdade. Aqueles que conseguem ler e interpretar esses signos revelados, mas não proferidos, podem usar essa vantagem a seu favor – inclusive quando se trata de esportes e competições onde é importante analisar o adversário ou antecipar suas próximas ações, como numa cobrança de pênalti no futebol.

Pequenas ações como desviar o olhar antes de contar algo, coçar a nuca ou a ponta do nariz ao responder um questionamento e executar movimentos assimétricos podem ser indicativos de uma mentira. Assim como o posicionamento do corpo, dos pés, o ângulo da perna e ombros, ou um rápido olhar antes da marcação de um pênalti podem demonstrar aonde o jogador pretende arremessar a bola e, consequentemente, serem decisivos para o resultado do jogo.

Esse tipo de linguagem é uma das formas de comunicação mais primárias e básicas do homem, sendo mais reveladoras e honestas que o discurso verbal, além de mais intuitivas. Ao longo de uma partida de futebol, por exemplo, os jogadores mais rápidos a decifrar os sinais tanto de seus colegas, como de seus oponentes, e que melhor o fazem, sabem o momento certo de passar a bola, quem marcar, aonde se posicionar.

Ao mesmo passo que aqueles que dominam essa linguagem, conseguem dissimular passes, levar o adversário a crer que estão mirando um lado do gol para ludibriar o goleiro enquanto chutam para outro etc. Da mesma forma, um lutador também pode dissimular golpes, ou se fazer parecer inseguro, por meio de uma postura mais submissa, com peito encolhido e ombros caídos, deixando o oponente falsamente mais confiante e surpreso quando receber os golpes que não estava esperando.

Uma das formas mais naturais e involuntárias de linguagem corporal são as micro-expressões, termo familiar para os fãs da série americana Lie to Me, baseada na obra do psicólogo Paul Ekman. Nela, um especialista neste tema ajuda a desvendar crimes apenas a partir da análise do comportamento dos suspeitos e de suas micro-expressões faciais, em que a breve contração dos músculos da face de uma pessoa denunciam emoções, sejam de raiva, medo, surpresa, nojo, culpa, alegria, tristeza, vergonha e assim por diante. Elas são muito sutis e podem estar centralizadas apenas em algumas áreas do rosto, como sobrancelha, canto da boca, narinas, ou serem formadas por um conjunto delas, ficando mais evidentes quando alguém tenta esconder ou disfarçar algo.

Esse tipo de linguagem é muito utilizada em outro esporte bastante famoso, o poker. Todo mundo já deve ter ouvido falar sobre os “tells” (deixas), algumas pistas basicamente inconscientes dadas pelos jogadores que evidenciam a qualidade de sua mão ou se estão blefando. Seja por uma contração, uma mudança no padrão de apostas, ou pelas

expressões faciais após a conclusão de uma mão ou ao receber as cartas, se o oponente for capaz de identificar esses tells e associá-los a certos padrões de comportamento, poderá saber se o adversário está blefando ou não, ou se ele tem uma mão favorável ou frágil.

Além da questão de explorar os tells e a linguagem corporal dos oponentes durante uma competição esportiva para obter a vantagem, lucros e uma possível vitória, é igualmente importante se atentar ao que você está comunicando através de seu corpo. Isso porque a forma como você se porta influencia sua própria performance antes e durante a competição.

Uma postura de confiança, com cabeça e ombros levantados e peito aberto, colaborará no aumento do desempenho e rendimento ao longo da partida. Isso pois essa mudança de atitude influencia a auto-percepção do indivíduo e tem até efeitos fisiológicos. Uma pesquisa publicada no periódico científico norte-americano Sage indica que esse posicionamento de poder colabora na elevação dos níveis de testosterona do corpo e diminui os de cortisol, hormônio que em alta quantidade pode ser prejudicial, o que colabora também para minimizar o stress e a tensão tão comuns em uma competição.O contrário é válido, e exibir uma postura de submissão, irá deixá-lo em uma posição de desvantagem pois passará uma ideia de fragilidade para os oponentes, o que certamente não é o desejado.

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Abraços…
Até !!!

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