Psicologia do Esporte Brasileira

bola da vezRecebo muitas mensagens via blog e email geralmente de estudantes e colegas recém-formados, às vezes até de pessoas de outras áreas, como jornalistas, com dúvidas em geral a respeito da atuação na Psicologia do Esporte. Resolvi então, compartilhar nesse post e responder os principais questionamentos que as pessoas frequentemente solicitam.

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1- Qual a melhor abordagem teórica para trabalhar na Psicologia do Esporte?

A Psicologia do Esporte é uma especialização da Psicologia, portanto, é possível atuar com qualquer abordagem. Como é sabido existem muitas correntes teóricas, a escolha é uma questão pessoal. Não há melhor teoria e sim diferentes modos de compreender o ser humano, diferentes olhares para um mesmo fenômeno, isso é ótimo, pois o ser humano e o esporte são complexos e não se encaixam em uma única visão de mundo. Obviamente ter uma abordagem para guiar o trabalho profissional é fundamental, mas o mais importante é a ética, o respeito pelas pessoas em que irá interagir antes de tentar padronizá-las numa determinada linha de pensamento. Essa frase atribuída a Jung, define bem o que tento dizer: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Talvez no mundo as teorias mais fortes na Psicologia do Esporte sejam de base cognitiva e comportamental, porém, há colegas com formação psicodinâmica, gestáltica, humanista, sócio-histórica, transpessoal, behaviorista radical etc. Há lugar para a diversidade e isso nos diferencia de outros países de modo geral.

2 – Onde estudar?

É importante salientar, a quem deseja ingressar nessa área é imprescindível se aprofundar nos estudos, trabalhar com atividades esportivas exige conhecimento específico.

Ainda são poucas as instituições brasileiras com licença do Conselho Federal de Psicologia ou do MEC para promover cursos de especialização em Psicologia do Esporte. Infelizmente, somente três entidades estão habilitadas para tal: o Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo, o Núcleo Paradigma também em São Paulo e a Universidade Gama Filho, com cursos em diversas cidades do país. Para uma área que deseja se consolidar cada vez mais como ciência são poucas as disponibilidades. Outra maneira em nível de pós-graduação é ingressar na área acadêmica, nos cursos de Mestrado ou Doutorado, nesse sentido as possibilidades para estudar aumentam, tanto na Psicologia quanto na Educação Física e Ciências do Esporte em muitas universidades do país.

Para começar a conhecer a área existem alguns cursos e workshops promovidos por instituições, entidades de classe, faculdades ou profissionais atuantes em todas as regiões do país. As instituições citadas acima promovem essas atividades, a clínica CEPPE também possui um curso introdutório com turmas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Sugiro aos interessados que visualize nesse mesmo blog a página de cursos, eventos e afins, sempre que possível divulgamos esse tipo de iniciativa, palestras, congressos, etc.

3 – Como é o mercado de trabalho?

O mercado ainda não está totalmente aberto ao psicólogo do esporte. Apesar de ter melhorado o cenário de maneira geral nos últimos anos aumentando a procura por profissionais qualificados, porém a meu ver, está muito aquém do ideal. Ainda é difícil se inserir no mercado de trabalho. Há colegas com capacitação, experiência e até com titulação de especialista que não conseguem inserção. Não quero desestimular quem deseja ingressar e investir nessa profissão, não porque não exista demanda, muito pelo contrário, a demanda é eminente em todas as áreas de atuação do psicólogo do esporte, mas infelizmente, ainda há pouca oferta de trabalho.

Penso que o maior nicho de mercado está nas práticas de tempo livre, ligado basicamente a Psicologia do Exercício (academias, assessorias esportivas, atletas amadores, etc), pois nesses espaços encontram-se o maior número de pessoas, ainda é um campo praticamente inexplorado.

Uma área só se desenvolve e se consolida com ciência e aplicação desse conhecimento, principalmente, com um número maior de profissionais qualificados atuando e com uma entidade de classe forte e representativa.

4- A Psicologia do Esporte faz parte da educação física ou da psicologia?

Diria que de ambas, a Psicologia do Esporte é hibrida, para atuar é necessário intercambiar entre essas duas disciplinas, qualquer área do conhecimento humano é composta por disciplinas similares, penso que ciência não tem dono. É obvio que dependendo da formação da pessoa, ela tenderá para uma ou outra área do conhecimento. Intervenção psicológica em psicologia do esporte no Brasil é exclusiva do psicólogo, segundo a lei Federal 014/2000 do Conselho Federal de Psicologia. Porém, para fins educacionais e científicos não há restrições e é fundamental que não ocorra. Os colegas da Educação Física e do Esporte vêm estudando os fenômenos psicológicos em diferentes abordagens a muito mais tempo do que os psicólogos. Devemos muito ao desenvolvimento da Psicologia do Esporte aos mesmos.

4 – Como é a atuação profissional?

A atuação profissional na Psicologia do Esporte é subdividida em alguns campos: esportes de alto rendimento  (esporte competitivo de base e profissional); práticas de tempo livre (exercícios físicos como manutenção da saúde e do bem estar pessoal), esporte escolar (praticas esportivas no ambiente escolar, inclusive, nos níveis superiores); iniciação esportiva (atividades esportivas, pedagógicas e competitivas com crianças e jovens), reabilitação (recuperação psicológica de praticantes de esporte lesionados, e com pessoas que praticam exercícios físicos como meio para reabilitação, promoção e prevenção da saúde); projetos sociais (tem como objetivo principal desenvolver o esporte como meio de educação e socialização de crianças e jovens de comunidades pobres).

5- Principais entidades de classe no Brasil?

ABRAPESP – Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.

SOBRAPE – Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte (atualmente com site fora do ar).

Abraços.

Até!!!

 

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2 ideias sobre “Psicologia do Esporte Brasileira

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