Treino simulado

Técnicos e preparadores físicos de diferentes modalidades frequentemente questionam como nós psicólogos do esporte poderíamos auxiliá-los a pontencializar a preparação psicológica durante as rotinas de treinamento.

Uma contribuição importante que a psicologia do esporte pode ajudar a desenvolver é o treino simulado. Se bem conduzido pode ser uma prática interdisciplinar que envolvem questões táticas, técnicas, físicas e mentais ao mesmo tempo.

Praticamente todas as modalidades individuais e coletivas podem utilizar o treino simulado como um método de trabalho,  pode preparar os indivíduos para o esperado e para o inesperado e ajudá-los a alcançar seus objetivos.

São basicamente três estratégias principais para conseguir um treino simulado de qualidade: a) simular os ambientes das competições; b) programas estímulos comuns as duas situações; c) variar as condições de treinamento.

Há um ditado que diz: “A prática leva à perfeição.” Mas esse ditado é enganador. Uma expressão melhor é: “A prática (treino), sob condições que sejam semelhantes às das competições, ajuda a levar à perfeição” (Martin, 2001).

No esporte o treinamento simulado pode ajudar na preparação para atuar mais próximo da capacidade e para encarar os desafios que atletas, provavelmente, enfrentarão no contexto da sua atuação. A simulação prepara para as exigências físicas, técnicas e mentais, por meio de um treinamento de alta qualidade, tensão e concentração, que copia as exigências reais de desempenho da competição. Esse treinamento  ajuda a se preparar  para potenciais distrações, de modo  capaz de manter o foco e fazer o trabalho, independentemente das demandas do evento ou dos acontecimentos ao redor.

 Os astronautas da NASA são experts em treino simulado, eles repetem exaustivamente suas rotinas para tentar minimizar erros e principalmente para saber como lidar com acontecimentos inesperados à quilometros de distância do planeta.

Todos os indivíduos ganham quando têm confiança em sua capacidade de fazer aquilo que são capazes. Praticamente todo atleta gostaria de entrar em  competições sabendo antecipadamente que completarão suas atuações de acordo com sua capacidade. A simulação ajuda a construir esse tipo de confiança. Os atletas devem devotar algum tempo a treinar sob condições que sejam similares aquelas existentes durante as competições.

O treinamento simulado surgiu do treinamento tradicional de artes marciais, talvez por isso a China e os países asiáticos sejam eficazes nesse tipo de situação. Nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, os atletas chineses demonstraram que são realmente expert nesse assunto. Eles foram treinados para lidar com a pressão de competir em casa com uma torcida extremamente exigente. Desde cedo os atletas chineses são expostos a repetição de manobras, e programa de treinamento voltado a simulação de adversários, fortalecendo  a preparação para competições de alto nível.

Segue abaixo, alguns exemplos de situações que podem ser simuladas:

– virando o jogo: simular um adversário com um placar de vantagem. O que pode ser feito nessa situação? Que estratégias podem ser treinadas para minimizar esse acontecimento?

– erros de arbitragem: expulsões, advertências, faltas contra, arbitragem “caseira” (na dúvida, favorece o dono da casa). Como controlar o equilibrio diante de eventos como esses?

– efeito da torcida: torcida hostil, torcida à favor, estádio ou ginásio com sua lotação máxima. Simular o som ambiente de um ginásio, solicitar com que atletas façam o papel de torcedores, num arremesso de lance livre, ou numa batida de penálti, por exemplo.

– jogos mais longos ou mais difíceis: numa partida de tênis ou badminton com longos sets. Simular essa situação pode contribuir também para o preparo físico.

– jogadores mais altos ou de tamanho diferentes: no caso de modalidades como voleibol, basquete e handball, a altura pode ser um diferencial. Como tentar neutralizar jogadores adversários como esse biótipo?

– lidar com adversidades: por exemplo, jogar com um atleta  a menos com um placar adverso. Um judoca está perdendo por pontos uma luta e faltam apenas 45 segundos para o término. Uma das formas de simular a excitação que o atleta pode sentir numa competição repleta de pressões é criar situações de pressão durante os treinos.

– o ambiente físico: temperatura ambiente, condição geral das instalações esportivas. Por exemplo, triatletas devem se possível treinar no local de competição para conhecer as especificidades do circuito e minimizar possíveis supresas que possam prejudicar a performance.

– o comportamento do treinador e dos atletas: em esportes coletivos, parte do time pode simular como pode jogar o adversário.  É importante que o comportamento típico do adversário, durante as competições, seja simulado durante os treinos, conhecer suas estratégias, seus pontos fortes e fracos.

– a imaginação e a autoconversação: a autoconversação do atleta podem afetar o desempenho esportivo. Habilidades mentais são como as habilidaes físicas, treiná-las sob condições semelhantes às do jogo ajuda a aperfeiçoá-las. Quando um atleta treina habilidades físicas durante centenas de horas, não faz sentido deixar as habilidades mentais ao acaso.

Como qualquer outro método de treinamento, excesso de simulação  e repetições, esgota a pessoa física e psicologicamente, diferenças individuais devem ser respeitadas. A espontaneidade e a criatividade devem ser  sempre incentivas, muitas vezes esses aspectos são diferenciais para um bom desempenho.

Referências:

Consultória em Psicologia do Esporte: Orientações práticas em Análise do Comportamento, 2001. Garry Martin. Ed. IAC.

Em busca da Excelência: como vencer no esporte e na vida treinando sua mente, 2009. Terry Orlick. Ed. Artmed.

Abraços.

Até !!!

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