Benefícios físicos e psicológicos da prática de exercícios

A prática de exercícios físicos é recente para sociedade atual, pois no passado o sedentarismo era exceção. A regra era mover-se para tudo. Seja para trabalhar no campo, nas fabricas ou nos afazeres domésticos. Anteriormente,  na caça ou na coleta de alimentos. Correr e lutar para se defender era uma maneira literal de sobreviver. Movimentar-se era natural e corriqueiro como qualquer outro evento social ou cultural, era uma regra que perdemos com a evolução da sociedade e da tecnológica.

Prescrição exata.

“É consenso que os exercícios são coadjuvantes na prevenção e no tratamento de várias doenças, mas alguns médicos ainda não conseguem orientar a atividade de forma individualizada”, diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Unifesp.
O tipo e a quantidade de exercícios devem ser prescritos em função do perfil do paciente e do objetivo. “De nada adianta ouvir um genérico “você precisa se exercitar”. Se a dose for baixa demais, não terá efeito. Se for excessiva, há risco de efeitos colaterais, como lesões musculares, articulares e até morte súbita”, diz Lazzoli.
Isso significa que um programa para quem quer perder peso é bem diferente daquele para quem precisa controlar a pressão alta. E mesmo jovens saudáveis devem passar por uma avaliação médica e por uma avaliação de um professor de educação física completa antes de começar a praticar esportes e exercícios físicos freqüentes.

 A solução parece simples. Não é novidade que a atividade física moderada e regular estimula e mantém a saúde do corpo. O que cada vez mais pesquisadores têm comprovado é que a prática não fortalece apenas o coração e os músculos, mas também a capacidade mental ajuda crianças a se desenvolver melhor, é aliada no combate à depressão e torna mais lento o declínio intelectual atrelado à idade. Para tanto, não é necessário nenhum esforço absurdo ou tortura pelo contrário: o limiar da “dose salutar” é surpreendentemente baixo. Incluir passeios a pé ou de bicicleta na rotina diária já cumpre o objetivo.

Exercícios de resistência moderados têm efeito positivo não apenas sobre o corpo, mas também sobre o cérebro. A atividade física estimula, estabiliza e protege o condicionamento mental. Nos últimos anos, pesquisadores têm esclarecido os mecanismos desse efeito: várias substâncias que facilitam a circulação sanguínea e a reorganização neuronal revelaram-se benéficas para o cérebro. Elas são produzidas de forma intensificada durante atividades musculares.

Exercícios reduzem o uso de remédios:

Idosas ativas precisam de menos drogas do que as sedentárias, mostra pesquisa da Universidade Federal de São Paulo. Estudos provam que as atividades físicas ajudam a tratar doenças, mas médicos não as receitam.

Idosas que se exercitam de maneira regular consomem, em média, 34% menos remédios do que as sedentárias.
O dado, de uma nova pesquisa da Unifesp, reforça um conceito que vem somando evidências: o de que exercícios podem atuar como medicamentos, tanto prevenindo algumas doenças quanto ajudando no tratamento de outras. E, como os remédios, precisam de prescrição.
O assunto também foi um dos destaques do 22º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e do Esporte, que aconteceu em Curitiba, no mês passado.
O estudo feito pela Unifesp, em parceria com o  Celafiscs (Centro de Estudos e Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul), acompanhou 271 mulheres com mais de 60 anos, muitas delas com doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
Foram consideradas ativas aquelas que praticavam mais de 150 minutos de atividade física por semana. As consideradas sedentárias não faziam mais de dez minutos de esforço.
“O estudo mostra que a atividade física pode estar fazendo um pouco o papel dos remédios”, diz o educador físico Leonardo José da Silva, um dos autores da pesquisa. Pesquisas mostram que um idoso com doenças crônicas consome entre quatro e cinco remédios por dia.
“O sedentário tem cinco vezes mais chance de ter hipertensão arterial, por exemplo,”, diz José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.
“Sabe-se que pessoas fisicamente ativas têm menos risco de doenças do coração como insuficiência cardíaca, além de diabetes e doenças respiratórias”, completa. Quando a pessoa já tem uma doença crônica, os exercícios podem atuar no controle, diminuindo a progressão da doença e o uso de remédios.

Efeitos colaterais da caminhada em idosos (Unifesp e Celafiscs): 

 1 – No estado mental:  A caminhada, por exemplo, reduz a ansiedade e diminui o risco de depressão, feito em grupo auxilia na sociabilidade.

2 – Redução do uso de medicamentos: A atividade física auxilia na diminuição do uso de antidiabéticos, anti-hipertensivos e de drogas para o controle do colesterol pela metade em quem anda de 15 a 30 quilômetros por semana. Além disso, exercícios melhoram a sensibilidade à insulina, ou seja, o organismo consegue diminuir a taxa de glicose em circulação, o que ajuda a prevenir e controlar o diabetes.

3- Cérebro: Há particularmente dois efeitos importantes do exercício sobre o sistema nervoso: estimula o crescimento vascular e o neuronal. Atividades moderadas como uma simples caminhada podem diminuir em 73% o risco de demência senil vascular.

4 – Seios: nas mulheres que caminham com freqüência têm um risco 23% menor de desenvolver câncer de mama.

5 – Coração: caminhar diminui os níveis do LDL  (o “colesterol ruim”) e aumenta os de HDL (o “bom” colesterol). Isso reduz o risco cardiovascular.

6 – Vesícula:  a atividade física reduz as chances de ter pedras na vesícula.

Embora os esforços  para fortalecer a capacidade de aprendizagem, planejamento e memória não possam evitar todo o declínio em nosso desempenho cognitivo, é surpreendente a poderosa ligação entre atividade física e acuidade mental. A notícia surge num momento propício. A proporção de idosos tem crescido consideravelmente, e, do ponto de vista social, o prolongamento de uma vida saudável e produtiva não só é desejável pelos benefícios que traz individualmente, mas também se traduz em uma forma de reduzir os custos sociais com cuidados em longo prazo.

Em um estudo publicado em 2006, o psicólogo Stanley J. Colcombe, da Universidade de Illinois, coordenou um grupo de pesquisadores que examinou a influência da ginástica em mudanças potenciais na estrutura cerebral. O experimento de seis meses incluiu 59 pessoas saudáveis, mas sedentárias, que residiam na comunidade, com idade entre 60 e 79 anos. As imagens cerebrais depois do treinamento com ginástica mostraram que mesmo intervenções com exercícios relativamente curtos restauravam algumas das perdas de volume cerebral associadas com o envelhecimento normal.

Efeitos das atividades físicas nas crianças:

Durante muito tempo, dizia-se que seria melhor para as crianças ficarem sentadas lendo um livro ou aprenderem uma língua estrangeira ou um instrumento musical em vez de correr atrás de uma bola, por exemplo. E quem quisesse manter seu potencial deveria exercitar preferencialmente o cérebro. Engano! Na verdade, a ciência tem comprovado que atividades físicas e mentais estão intimamente associadas. E para tirar o melhor proveito dessa interseção é preciso levar em conta características de cada fase da vida.

Na verdade, o exercício e as experiências associadas a ele influenciam posturas e hábitos que afetam o caminho a ser seguido na vida. Por isso, a diversão deveria estar em primeiro lugar: uma atividade escolhida por vontade própria e divertida que gere experiências de sucesso. Isso estimula crianças efetivamente.

Várias dessas comparações entre as crianças e jovens que gostam de se exercitar e outros mais ociosos apontam na mesma direção: os ativos têm melhores resultados em quesitos como atenção, memória e capacidade intelectual: conseguem memorizar mais informações, as processam melhor e demoram mais a se cansar.

Costumamos pensar que a inteligência está ligada, em grande parte, à herança genética, mas isso não representa o quadro completo, é apenas um aspecto a ser considerado. A forma como usamos o tempo afeta nosso bem-estar mental: permanecer ativo, física e mentalmente, bem como manter por perto pessoas queridas, nos ajuda a continuar aguçados com a idade.

Psicologia do Exercício:

Apesar  dos inevitáveis conflitos entre as exigências profissionais e o tempo disponível para outros papéis e atividades (ser pai ou mãe, por exemplo), é fundamental incorporar a prática de exercícios físicos e atividades prazerosas ao cotidiano. Incentivar essas escolhas vai além do benefício individual: pode ser considerada uma questão de saúde pública.

 Pesquisas comprovam que o exercício periódico pode refrear o declínio intelectual na velhice e ainda combater o estresse, pois o treinamento regular reduz o nível do hormônio do estresse, cortisol, que a longo prazo prejudica as células cerebrais. A atividade física funciona aqui de forma “neuroprotetora”. O exercício também eleva a concentração de triptofano, uma substância precursora de neurotransmissor serotonina que favorece a recaptação do neurotransmissor, diminuindo efeitos da depressão. Além disso, durante a atividade física, são liberadas substâncias endógenas que estimulam a sensação de bem-estar.

O componente emocional da atividade física é hoje utilizado com sucesso no tratamento de distúrbios psíquicos. Além das atividades físicas mais “tradicionais” (caminhada, corrida, musculação, entre outras) recomenda-se a dança de salão para pessoas com depressão por exemplo. Nelas, o nível de serotonima são bastante reduzidos.

Dançar protege o cérebro do envelhecimento, pois e um exercício físico que contribui com a interação social e auxilia a reduzir a sensação de estresse e promover o bem estar. A dança de salão pode ser um excelente complemento terapêutico.

Como dizia o filósofo alemão Fridrich Nietzche, “os grandes pensamentos resultam da caminhada”. Ele costumava buscar inspiração caminhando. Os filósofos gregos também ensinavam seus discípulos caminhando e “filosofando”.  O poeta Romano Juvenal também tinha razão quando disse:  “Mens sana in corpore sano”.

 Fonte:

Folha de S. Paulo, 12/08/2010 – reportagem de Gabriela Cupani.

Revista – Mente e Cérebro, núm. 211- Julho de 2010.

Abraços.

Até !!!

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14 ideias sobre “Benefícios físicos e psicológicos da prática de exercícios

  1. Andorinho-Mozambique

    Actualmente as pessos ficam viciada, em ficar enfrente de um computador horas em horas, em vez de reservar o tempo minimo de andar de uma bicicleta ao menos ou caminhada. o computador influencia em problemas visuais, uma unica posicao na cadeira a pesksar

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  2. andre _guine_bissau

    Sou educador fisico e atual diretor geral do desporto no meu pais gostei e faço votos que o vosso trabalho venha trazer mais explicaçoes sobre o exercicio fisico e os seus efeitos tanto psicoligico assim como o fisiologico porque a nossa sociedade precisa de informaçoes suficiente para poderem lidar na prevençao e nao em remediar. Estarei sempre a consultar o vosso artigo e ler sempre o vosso trabalho força eum abraço forte para voces

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  3. David Eberle

    Gostei muito dessa postagem de vocês, mas gostaria de saber mais sobre exercícios físicos para crianças com deficiência mental, se puderem postar algo sobre isso ficarei muito agradecido.
    Um forte abraço a todos e obrigado pelos esclarecimentos.

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