Entrevista – Márcia Pilla do Vale.

Dando continuidade a sessão do blog: Quem faz a Psicologia do Esporte? Tive o prazer de conversar com Márcia Pilla do Vale. Confira abaixo, um pouco da experiência e das idéias da colega.

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Blog:  Comente sobre sua formação?
Márcia: Na época em que fiz a graduação não se falava em Psicologia do Esporte. A partir da necessidade prática, quando comecei a trabalhar na área, fui atrás de conhecimento técnico. Busquei cursos de extensão, entrei no Mestrado e me aperfeiçoei. Inicialmente, era complicado até de conseguir livros e artigos específicos da área. Nos reuníamos em grupos de estudos para estudar e discutir a partir da experiência de cada um.

Blog: Como e quando iniciou na psicologia do esporte?
 Márcia: Trabalhava numa escola que fica dentro de um clube poliesportivo. Me interessei pela Psicologia do Esporte a partir da observação dos ambientes de treinamento. Comecei o trabalho com a equipe de Ginástica Artística e posteriormente ampliamos para Esgrima, Natação, Ginástica Rítma, Vôlei e Basquete. Fiz Mestrado e busquei me aperfeiçoar na área. Penso que o psicólogo é fundamental não só trabalhando junto aos atletas como com a equipe técnica.


Comecei nesta área no clube Grêmio Náutico União – Porto Alegre – RS, onde trabalhei por 14 anos (8 só com esporte), iniciei como psicóloga escolar na escola de educação infantil que existe no clube. A proposta desta escola é aliar a educação com o esporte e as crianças praticam uma iniciação esportiva diariamente nas dependências do clube. A partir do meu contato com os diferentes departamentos do clube e minhas percepções a respeito das interações entre técnicos e atletas, foi proposto um projeto de trabalho (inicialmente na Ginástica Artística) e a partir daí, ampliado a outros departamentos. Desempenhei meu trabalho em ambas as áreas (escolar e esporte) por cerca de 1 ano e meio e depois somente com a psicologia do esporte durante 8 anos, com diferentes modalidades. Durante o trabalho no Grêmio Naútico União, trabalhei também com futebol por 2 anos no Clube 15 de Novembro (em Campo Bom/RS) e, atualmente, além do trabalho no consultório (onde acompanho atletas), sou psicóloga esportiva do Instituto Gaúcho do Tênis (http://www.igtenis.com.br/), um centro de excelência na modalidade.

Blog:  Qual o cenário da Psicologia do Esporte no Rio Grande do Sul? Que conselho você dá para quem é de seu estado e está interessado em trabalhar na área?
 Márcia: Penso que a Psicologia do Esporte é uma área em expansão e com grandes possibilidades de crescimento. Acredito que este se dará especialmente no terceiro setor em função de saber-se que a prática esportiva é reconhecidamente um caminho para educação e cidadania.
Ainda carecemos de profissionais competentes para atuar no mercado acadêmico e profissional. Poucas universidades contam com a disciplina Psicologia do Esporte (a maioria como optativa) e os estágios são raros. Mas estamos caminhando para expandir e firmar a área.

Blog: Você possui experiencia com várias modalidades esportivas individuais e coletivas. Existe diferenças nas estratégias em sua atuação?
Márcia: Existe diferenças para modalidades individuais e coletivas bem como cada modalidade esportiva possui suas particularidades que devem ser levadas em conta na hora da intervenção.
Nas modalidades coletivas deve-se considerar os aspectos de grupo como um dos fatores principais a serem trabalhados. Assim, estaremos atentos a questões como: o estabelecimento de um ambiente favorável ao rendimento esportivo, com as inter-relações entre os membros, a construção da coesão do grupo, o papel das lideranças, os processos de comunicação, o funcionamento (as leis) do grupo e, especialmente, o desenvolvimento de uma identidade grupal. Cada grupo terá sua cultura própria, inserida naquele contexto particular e naquele momento. É por este motivo que não se pode ter “receitas de intervenção”, pois é preciso levar em conta todas estas particularidades para conseguir-se um resultado eficaz. Por exemplo: um mesmo time pode funcionar de um determinado modo com um técnico e de modo completamente diverso com outro tipo de liderança, ou ainda em diferentes momentos de um campeonato.

Já nas modalidades individuais, geralmente atendemos às necessidades de cada atleta em sua performance. Estaremos atentos a questões como o gerenciamento do estresse, controle de atenção e ansiedade, estabelecimento de metas, manutenção do foco e da motivação. Dependendo da situação, também trabalharemos a interação do atleta com o seu entorno (técnico, pais, mídia etc.). Um aspecto que considero fundamental é termos presente toda a pessoa e não apenas o atleta, pois penso que é nosso papel buscar a melhoria pessoal do sujeito na sua vida.

Blog:  Sua experiencia profissional também possibilitou participar de muitas comissões técnicas. Qual é o papel fundamental do psicólogo do esporte numa comissao tecnica?
Márcia: O psicólogo precisa entender que ele é mais um integrante na comissão técnica e, na minha opinião, quem lidera esta equipe é o treinador/técnico. Sendo assim, a integração profissional entre eles é fundamental, pois á partir da relação de confiança estabelecida que será possível desenvolver um bom trabalho com os atletas. Quando o profissional da psicologia está inserido na equipe técnica, planeja conjuntamente com o técnico suas ações, pois a periodização do treinamento também ocorre na psicologia. Se há a necessidade de, por exemplo, treinar-se habilidades específicas, pode-se programá-las para treinar-se também em campo.

Blog: Atualmente você trabalha no IGT (Instituto Gaúcho de Tênis). Comente sobre sua atução nessa instituição?
Márcia: O IGT é um centro de treinamento em excelência de tênis. Temos uma equipe de 14 atletas, 4 técnicos, preparador físico, fisioterapeuta e psicóloga que atuam diretamente na equipe. Minhas atribuições são:
– acompanhamento ao atleta (avaliação individual, preparação pré e pós competição, coaching);
– assessoramento ao técnico (ou equipe técnica);
– trabalho interdisciplinar (médico, fisioterapeuta, nutricionista, diretores);
– orientação a pais.

Blog: O tênis é uma das modalidades que tem mais abertura para o psicólogo do esporte. Na sua opinião por que  outras modalidades não tem a mesma abertura para esse profissional?
Márcia: Uma das maiores dificuldades para a ampliação da atuação do psicólogo esportivo, ao meu ver, é o caráter subjetivo de seus efeitos. É difícil mensurar o quanto há do nosso trabalho no rendimento do atleta. E esta é uma dificuldade para “vendermos” nosso trabalho.
Acredito ainda que por ser uma área relativamente nova, ainda encontram-se resistências, por desconhecimento e preconceito.
Os próprios psicólogos desconhecem os aportes teóricos e técnicos específicos da área e acabam “queimando” a possibilidade de um bom trabalho em Psicologia do Esporte ao tentarem agir com o conhecimento que dispõem, criando mais um preconceito: “Psicologia do Esporte não funciona”.

 Blog: O que é preciso para a psicologia do esporte, sair dos “guetos” e realmente se consolidar como uma área atuante?
Márcia: Baseado no que respondi na questão anterior, acho imprescindível a divulgação de trabalhos realizados seriamente tanto a nível acadêmico quanto nos ambientes esportivos. É importante informar ao público das possibilidades da área. E não apenas no que é relacionado ao esporte, mas também na atuação junto à atividade física, pois acredito ser uma área de atuação ainda com grandes possibilidades de ampliação.

Blog: Outras informações.
Contatompvalle90@hotmail.com. Site: www.psicoesporte.com.br

Márcia é autora do livro: Dinâmica de grupo aplicado à Psicologia do Esporte. Ed. Casa do Psicólogo.

 Márcia irá  ministrar o Curso de Extensão: PSICOLOGIA NO ESPORTE DE RENDIMENTO em Porto Alegre – RS, nos dias 14 e 15/05/2011 (Sábado e domingo, das 8h às 18h), para mais informações acesse,

http://www.posugf.com.br/cursos/curso/1634/psicologia-no-esporte-de-rendimento.html

Abraços.

Até!!!

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